7 de fev de 2017

O Chamado 3 (Rings)

Pôster dos EUA mesmo, já que o do Brasil não tem esse formato de pôster.
Título Original: Rings
País de Origem: Estados Unidos
Ano de Lançamento: 2017
Gênero: Terror/drama
Classificação etária: maiores de 13 anos
Duração: aproximadamente 102 minutos
Lançamento: 2 de fevereiro de 2017 (Brasil), 3 de fevereiro de 2017 (EUA)
Roteiro: David Loucka, Jacob Estes, Akiva Goldsman
Direção:  F. Javier Gutiérrez
Distribuição: Paramount

Elenco: Matilda Lutz (Julia), Alex Roe (Holt), Johnny Galecki (Gabriel), Vincent D'Onofrio (Burke), Aimee Teegarden (Skye) [+]

Sinopse: Uma jovem encontra-se no fim de uma terrível maldição que ameaça tirar sua vida em 7 dias.

Vai Lendo!

Pra não assustar os que chegam agora, vou fazer como a Ninne fez na última postagem dela: aviso que não sou crítico de cinema, que não saio defendendo ou atacando nada gratuitamente e que, por tudo que existe de mais sagrado, minha opinião não representa a verdade absoluta universal. Acreditem, tem gente que acha que eu sou o dono da verdade e que o que eu digo é definitivo, mas não façam isso. O intuito do blog é mostrar o ponto de vista e a análise de cada autor (por isso existem críticas repetidas de um mesmo filme, porém com opiniões diferentes, o que é muito mais interessante).
Jamais assista ou deixe de assistir um filme porque você leu em algum lugar que ele é bom ou ruim. Se você tem curiosidade de assistir, vai fundo, mesmo que digam que o filme (ou o que for) é ruim. Eu gosto de muita coisa que todos detestam e detesto muita coisa que todos adoram.


Ah, outros avisos a todos: ao contrário da Ninne, que consegue escrever textos mais curtos e sucintos, eu tendo a me estender e escrever testamentos gigantescos, esotu bem ciente disso. E o mais importante, essa crítica VAI TER spoilers, já que muito do que eu vou explicar precisa ser ilustrado com as cenas.
Bom, chega de enrolação senão já vão me achar um chato e nem vão ler a crítica 😝 e vamos ao que interessa!

TRAILER


Sendo curto e grosso, não gostei da ideia de lançar um terceiro filme da série desde que isso foi anunciado. Primeiro, ouvi que iriam fazer um remake do primeiro filme, depois disseram que era uma continuação. Achei desnecessário, já que o segundo filme tentou continuar e saiu um negócio esquisito e fora do contexto.
Eu não queria assistir, mas uma série de coisas que não vêm ao caso acabou me levando a ir ao shopping e arriscar.

MANO DO CÉU, QUE FILME PÉSSIMO! 😖

O primeiro trailer tem uma quantidade tão grande de spoilers óbvios (inclusive sobre o final!!) que resolvi postar o segundo, dublado mesmo, que é menos pior. Vou tentar, se possível, lembrar de todos os aspectos ruins e dos poucos bons do filme.
Logo na primeira cena já dá pra sentir o clima clichê que vai ser o filme todo. Meu irmão assistiu comigo no cinema e, assim que os equipamentos da cabine do avião começaram a mostrar a cena do poço (aquela mesma da fita do primeiro filme), nós nos olhamos e foi aquele estalo mental imediato: "cacildis, a gente vai mesmo ter que assistir isso? 😓". Cara, por mais ignorante que eu seja sobre aviões, imagino que os painéis na cabine não têm monitores que consigam mostrar vídeos assim, eles são feitos pra navegação.
Beleza, já pagamos, então relaxa e aproveita. Aham, Cláudia, senta lá...

O casalzinho do filme é a coisa mais insossa do mundo. A guria até passa um pouquinho de emoção, mas o máximo que ela consegue é ofegar metade do filme. O cara, que teve que tirar a camiseta pra chamar a atenção, atua tão bem quanto o anão de louça que tem no jardim aqui de casa. Não, mancada, o anão pelo menos tem expressão 😆

Do início ao fim você vai ver, repetido a cada 2 minutos, o som ou flashes do conteúdo da fita amaldiçoada do primeiro filme. É sério, eles jogam na sua cara o tempo todo "ó, você tá assistindo O Chamado, viu?!", como se os espectadores fossem burros ou se houvesse a necessidade de lembrar que filme é, já que é tão viajado que você pode acabar se perdendo.

Algumas coisas novas tentam ser interessantes, como o personagem do Leonard Johnny Galecki, o Gabriel. Ele é professor, mas realiza outras atividades, digamos, "obscuras": conduz um grupo de estudos escondidos sobre a influência da Samara e possui até um artigo publicado sobre isso. O grupo somente faz uma coisa: cria cópias do vídeo amaldiçoado e junta pessoas dispostas a assisti-lo e perpetuar a maldição. Poderia ter ficado legal, mas foi tão rasamente explorado que mal faria diferença caso não tivesse.

Um dos principais problemas foi esquecerem que o foco do filme é, ou deveria ser, a Samara. A lenga-lenga é tão arrastada mostrando o passado dela, da mãe, do padre, de duas outras personagens avulsas e o pessoal desesperado querendo passar a coisa pra frente e obrigando outros a assistirem ao vídeo que as cenas com a Samara em si ficam em segundo plano. Aliás, cenas bem sem graça também, com a exceção (bem curta) da que aparece no trailer, ela saindo da TV (agora de LCD!). Como ocorre com a maioria dos trailers de filmes de terror, quase tudo você já sabe pelo trailer.

Isso leva a mais dois pontos. O uso da tecnologia e algo que os trailers insistem em estragar: os sustos.
A parte da tecnologia é totalmente aceitável, afinal não dá pra deixar a época do filme sempre no "passado", onde ainda se usava vídeo cassetes e fitas. A transição para a mídia digital era inevitável, agora a cópia do vídeo é simplesmente feita usando, literalmente, Ctrl+C, Ctrl+V (também conhecido como copiar e colar). Os mais geeks podem até perceber que o vídeo é passado em formato .mov Quick Time deixa lembranças 😝

Nisso de copiar o vídeo ocorre uma das partes que quase tornam o filme bom: surgem cenas escondidas dentro do vídeo (como é literalmente dito no filme, um vídeo dentro do vídeo). E como foi que fizeram isso? Criaram mais cenas estranhas imitando as do vídeo original: flashes de uma igreja, um bando de pássaros, uma comunidade alagada, um círculo, uma cruz de insetos, entre outros.
Aí tudo desanda: o roteiro do filme faz questão de explicar detalhe a detalhe tudo o que tem no novo vídeo, subestimando a capacidade de quem assiste. No primeiro filme isso acontecia, mas de forma muito mais sutil.

Os sustos são o artifício mais ridículo do filme. Um monte de jumpscares baratos (com direito a close de um cachorro latindo muito alto) em momentos previsíveis. Apenas um deles não é assim tão previsível e quase me assustou, mas porque eu já estava quase cochilando no cinema. O Chamado deixou de ser um filme bizarro e meio sobrenatural pra virar um filme batido e cheio de sustos sem graça. Detalhe que os sustos nem ao menos funcionam, porque são sempre precedidos daquele aumento da trilha sonora que joga na sua cara "se prepara aí, vai ter barulhão e uma coisa pulando na tela em close!". Sério que ainda usam isso? 🙄

A parte do padre é interessante, mas também desnecessária. Misturaram e mexeram de novo com o passado da mãe biológica da Samara (aquela que aparece no manicômio no segundo filme, lembra?). Nem a atuação do Vincent D'Onofrio conseguiu salvar essa parte. É exatamente nesse pedaço do filme que tem a cena que eu achei a mais zoada de todas: resumidamente, "cara perseguindo mocinha em lugar fechado, mocinha quase se ferrando". Ela desesperada querendo sair, tenta abrir uma janela, mas a janela está pregada. A pessoa é tão inteligente -sqn que simplesmente senta no chão e se lamenta, mas a janela é de vidro!!!!!1!!!!!1!!um!!!!
Um monte de objetos pesados perto dela e o vidro teria quebrado. Ou um chute mesmo, o que seria um corte na perna comparado a talvez morrer? Isso rendeu outro estalo mental entre meu irmão e eu, e um facepalm duplo sincronizado 😐

[Curiosidade: sabia que a atriz que fez a mãe da Samara no segundo filme é Sissy Spacek? Sabia que ela é a Carrie, do primeiro Carrie, A Estranha? 😉]

Bom, até onde eu lembro, o filme é isso. O final tenta te surpreender, mas como eu comentei no início, um dos maiores suspenses da trama foi destruída pelo primeiro trailer (e até por um dos pôsteres).
De bom, o que eu vi no filme foi só a ideia do vídeo novo dentro do vídeo antigo e o uso de cigarras, mas simplesmente porque quase sempre acho interessante quando misturam coisas do mal com quaisquer insetos mesmo que eu tenha uma fobia desgraçada de insetos 😣
Colocaram dois atores conhecidos (Johnny Galecki e Vincent D'Onofrio), mas nem isso salvou porque a trama deles é bem rasa. Aliás, a trama geral é bem sem graça, tenta repetir alguns conceitos do filme original, mas acaba falhando feio (a motivação pra mocinha do filme ter assistido ao vídeo é a coisa mais brega do mundo).

A trilha sonora também não salva, principalmente porque nos momentos mais tensos ela parece mais a trilha de um filme de ação que de um terror. Hans Zimmer, o deus das trilhas sonoras e que fez as músicas dos dois primeiros filmes, é citado como "produtor musical executivo", seja lá o que isso signifique, mas o compositor oficial é um tal de Matthew Margeson, que não era conhecido e só participou como produtor musical de outros filmes.
O diretor então, tem dois filmes, um curta (todos em espanhol) e de repente O Chamado 3 no currículo. Não que ser conhecido seja um requisito pro filme ser bom, mas pensem bem: uma franquia de tanto peso como O Chamado contando com um diretor e um compositor que nunca fizeram algo tão reconhecido antes? Foi um tiro no escuro, que acabou acertando no pé.

Comparações com os filmes anteriores são inevitáveis, óbvio, já que trata-se de outro membro da família. Claro que não esperaria algo igual, nem poderia ser, mas as ideias centrais e elementos-chave da trama não poderiam ter sido mudados ou distorcidos tanto como foram. É isso que estraga qualquer continuação, quando tudo destoa demais do que era antes a ponto de você não saber mais que o filme é a continuação ou outra parte de uma obra. Pior ainda quando o filme em questão é um dos remakes de maior sucesso até hoje (junto com o primeiro O Grito/Ju-On). A vingança da Samara atingiu um nível crítico que chega a ser hilário ao invés de trágico. E, caso alguém não saiba, esse é o tema central dos filmes originais (a série japonesa Ringu, criada por Hideo Nakata, que também criou o Água Negra/Dark Water original). Antes o filme tinha um teor mais misterioso e obscuro, usavam um susto aqui e ali, mas esse terceiro foi um festival de palhaçadas.

Poderia ser implicância de minha parte, já que achar algo que não seja clichê hoje em dia é praticamente impossível. O mercado anda saturado de filmes, sejam de que gênero for, mas especialmente esses de terror. Só que não acredito que seja o caso, porque assim que acabou o filme, mais da metade da sala levantou na hora e saiu (quando o que geralmente acontece é comentarem algo ou esperar pra ver se tem cenas pós créditos). Não reparei se alguém chegou a sair durante a sessão porque fiquei prestando atenção, tentando absorver o máximo possível pra ver se alguma coisa ia ser boa. Fomos em quatro pessoas, sendo uma delas extremamente medrosa e que achou o filme assustador. Os outros três (eu entre eles) já estão mais que acostumados com filmes de terror/horror e, junto com um monte de outras pessoas, começaram a rasgar críticas assim que as luzes acenderam.

Tá, no começo você disse que não é pra levar sua crítica em consideração, então por que você escreveu tudo isso?!
Bom, pra alertar sobre o que um fã de filmes de horror achou. Mesmo tendo dito "se você tem curiosidade, vai fundo, assista!", aviso: pra mim foi o melhor jeito de jogar R$ 21,00 no lixo (tive que pagar o ingresso inteiro, mas achei que não valeria nem meia entrada). Eu já tinha as expectativas absurdamente baixas, mas o filme conseguiu ser ainda pior. Pode ser que não tenha como saber como uma obra vai ser só pelo trailer, mas ultimamente eu tenho acertado bastante, já que todos os filmes dos quais vi o trailer soaram péssimos e realmente o foram.
Eu continuo com a mesma opinião, assista o filme pra saber se ele realmente é tudo isso ou nada disso. Se não for, comente por que você achou que foi bom e quem sabe surge uma discussão sadia? 😃

Nota (0~10): 2 (e com muito esforço pra achar algo bom no filme).

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