8 de out de 2016

Layers of Fear

Título original: Layers of Fear
Gênero: Horror, Terror, Primeira pessoa
Classificação: Mature/Maiores de 17 anos
Número de jogadores: 1
Lançamento: 16 de Fevereiro de 2016
Produzido por: Bloober Team
Distribuído por: Aspyr Media
Plataformas: PC (Steam), XBox One e, posteriormente, PlayStation®4

Site Oficial

Sinopse:
Mergulhe fundo na mente de um pintor insano e descubra o segredo de sua loucura, enquanto explora uma mansão da era Vitoriana vasta e em constante mudança. Revele as visões, medos e horrores que envolvem o pintor e finalize a obra de arte que ele lutou tanto para criar.

Vai lendo!


EDITADO: essa postagem atrasou muito, MUUUUUITO²³²³¹¹²³¹³²¹³, mas não vou inventar desculpas pra tentar justificar. O rascunho está salvo há meses, mas não desisti dela e nem de continuar postando análises/críticas de jogos aqui no Vai Assistindo.

Já começo dizendo que essa postagem é mais uma declaração de amor que qualquer outra coisa, então se alguém achar que em alguma parte eu fico babando ovo, é a pura verdade. Gostei tanto de Layers of Fear que, se pudesse, compraria todas as versões dele, ma$...
Antes de mais nada, o teaser:



Layers of Fear é, como uma das propagandas diz, "uma obra prima do medo". Sempre soa como exagero e apelo comercial, mas como alguém que já experimentou praticamente todas as formas de jogos de horror, posso dizer com convicção: não é mentira, em nenhum aspecto. Visualmente, sonoramente, na jogabilidade, na ambientação, é tudo simplesmente perfeito. Mas relembro uma coisa: essa é minha opinião e não representa a verdade absoluta, logo é totalmente aceitável que alguém se deixe levar por isso, jogue e odeie o jogo. Questão de gosto, impossível existir algo absoluto.

Começo apresentando o hype que criaram em torno do jogo.
Órfãos de P.T./Silent Hills (infelizmente), todos anseavam por um jogo que o substituísse ou, ao menos, continuasse o legado do que parecia ser o jogo de horror mais assustador desde muito tempo. Em meados do fim do ano passado (não lembro exatamente quando, desculpem-me), surge no Steam um jogo indie de horror em primeira pessoa desenvolvido por uma equipe Polonesa e com temática interessante: um pintor perturbado, tentando terminar a obra prima de sua criação, e coisas esquisitas acontecendo na mansão onde ele mora.
O trailer por si só já era completamente insano e psicodélico, e a ideia de ter pinturas que mudavam conforme você jogava era muito interessante. O jogo estava em fase de desenvolvimento, porém foi disponibilizado no Steam o acesso prévio.

Como assim "acesso prévio"? Você pagava e jogava antes de todo mundo? õ_o
Não exatamente. Você, obviamente, precisava comprar o jogo, mas tinha acesso à versão que ainda estava em desenvolvimento, e não ao jogo completo. Quando surgiu, o jogo possuía apenas algumas salas da mansão disponíveis, porém aos poucos foram sendo lançadas atualizações que adicionavam novos elementos e novas salas. Até mesmo os títulos das atualizações eram criativos, com nomes de pintores cujas obras apareciam no jogo (a última delas foi chamada de Goya, de Francisco de Goya).

No meio de outubro de 2015 surgiu outra atualização que abria uma sala secreta (mas acessível a todos) em um dos cômodos da casa. No centro da sala havia apenas duas cadeiras, uma mesa e um tabuleiro Ouija. Com essa sala veio um desafio: descobrir todas as palavras que era possível "invocar" com o tabuleiro (eram 20 ou 30, desculpem-me novamente por não lembrar). Quem descobrisse todas as palavras seria imortalizado(a) com uma pintura presente no jogo (sim, você ia ganhar um quadro pintado que apareceria em algum momento do jogo!).
Apenas essa parte do jogo já era bizarra e assustadora por si só, já que não havia como saber o que esperar a cada palavra nova que se tentava. Aos poucos você ia descobrindo um caminho estranho escondido nas palavras e o desfecho era bem diferente dos padrões, mesmo para um mini-game.

Até cerca de duas semanas antes do lançamento, Layers of Fear havia sido anunciado apenas para Steam e XBox One. Percebendo o sucesso que o jogo havia feito até então (e obviamente todo o dinheiro que podiam faturar), a equipe decidiu criar uma versão para PlayStation®4. A data de lançamento havia sido anunciada como 16 de fevereiro de 2016, porém no dia 15 já era possível baixar a versão completa e enfrentar os corredores e salas cheias de pinturas da mansão.

OK, cansei de ler a introdução gigante. Cadê a análise?
Calma, eu disse que ia me empolgar e escrever demais :P
Visualmente, o jogo já é extremamente bonito. Muito bom gosto na criação das salas, detalhes em todo canto, gráfico muito bom (ainda que não seja requisito básico) e o detalhe master, as pinturas, com tanta resolução quanto era possível sem deixar o jogo absurdamente pesado.
As luzes e sombras deixam tudo muito mais convincente, os objetos são modelados com muito cuidado e as transições dinâmicas dos cenários são o destaque máximo. Efeitos de distorção, cor, iluminação e vários outros davam o tom psicodélico que simbolizavam a mente perturbada do pintor.

A jogabilidade é muito bem fluida, você interage com quase todos os objetos do cenário, abre e fecha portas e armários, puxa alavancas, usa chaves e acende e apaga luzes. Há apenas uma ressalva: abrir as gavetas que são uma embaixo da outra pode ser meio irritante, já que o cursor em forma de mão é bem sensível e você acaba errando a gaveta que quer abrir.
O movimento do andar é bem natural, pois o jogo possui a opção de ativar ou desativar o Headbob (Movimento da cabeça). Isso faz com que a câmera nunca fique parada, sempre balançando levemente, imitando o movimento natural de uma pessoa. Ao correr, a câmera também balança, mas sem exagerar ou prejudicar.
Um fato que pode afastar um pouco os jogadores mais tradicionais é que não há ataque durante o jogo, ou seja, você não vai usar armas e nem se defender de nada. Como a proposta do título é imergir o jogador nesse mundo distorcido e na mente perturbada do pintor, faz todo sentido e é perfeitamente aceitável. Muita gente chama isso de "simulador de andar", mas como em Layers você faz mais coisas além de apenas vagar pelas salas, não é exatamente um rótulo que se encaixe.
Acho apenas que deveriam ao menos ter dado uma lanterna, lampião, isqueiro ou qualquer coisa do tipo ao protagonista, já que em algumas partes o jogo fica escuro demais e seria bem vinda uma fonte de luz. Como em 90% do jogo isso é proposital (o ambiente é escuro por si só), não tem problema algum. É só ajustar o Gamma do jogo e/ou o brilho do seu monitor/TV e fica tudo OK.
Toda a trama do jogo é apresentada usando comentários com voz, mas a maior parte dela aparece na forma de documentos espalhados pelos cenários, logo, se você quer aproveitar ao máximo a história, saia caçando notas em todo canto. Todas são notas escritas à mão, datilografadas ou algo do tipo, porém o jogo mostra na tela o texto literal, tornando tudo legível, já que os manuscritos às vezes podem ser difíceis de entender. Ah, detalhe que ajudou bastante: o jogo foi traduzido para Língua Portuguesa, apesar de apenas o texto. A dublagem seria desnecessária, tendo em vista o trabalho meio amador que vem sendo feito com vários jogos no Brasil. Um ou outro erro de tradução aqui e ali, mas sem nenhum problema para o entendimento.

TRAILER


O ponto mais alto do jogo, juntamente com o visual e os elementos dinâmicos, é a parte sonora. Os sons do ambiente são extremamente convincentes (chuva, trovões, vento, etc.) e os efeitos sonoros são perfeitos (coisas sendo arrastadas, batidas, arranhados). As músicas são de um bom gosto singular, tanto nos momentos mais tensos quanto nos mais calmos.
Todas as músicas originais foram compostas por Arkadiusz Reikowski, compositor Polonês da Cracóvia. Infelizmente, a trilha sonora não foi disponibilizada em nenhum formato, seja digital ou em mídia física. Os fãs ainda aguardam ansiosamente o anúncio de uma das duas versões, porém nada foi confirmado (nem mesmo os "métodos alternativos" de download...). Como curiosidade: Arkadiusz Reikowski ganhou certa notoriedade depois de compor a trilha sonora de Kholat, outro jogo indie de horror/simulador de andar que pretendo apresentar em uma próxima crítica. As músicas de ambas as trilhas sonoras, principalmente o tema, são perceptivelmente parecidas.

Deixo aqui como bônus a música-tema do jogo, num player do Soundcloud do compositor oficial:



Algumas pessoas criticam o jogo por causa do final. É fato, o final não é surpreendente e é bem previsível, mas acredito que de forma alguma prejudique o jogo. O desenvolvimento e desenrolar da história, junto com as perturbações que o protagonista sofre, valem a pena mesmo que o final do jogo fosse apenas um "Continua..." aparecendo na tela.
Outra coisa que chega a incomodar um pouco é a ausência de itens em quase todas as gavetas e armários durante o jogo. A única motivação que você tem é a de coletar todos os documentos, fotos e os pôsteres desenhados à mão com frases bizarras envolvendo ratos (jogue e descubra! ;D). Porém, como a atmosfera é opressiva e tão envolvente, você não vai perceber muito esse fato.

Para finalizar, foi anunciada há algum tempo uma DLC para o jogo, chamada de Layers of Fear: Inheritance. Já joguei e já terminei, mas prefiro deixar isso pra uma postagem separada (sei lá quanto tempo isso vai levar, mas espero que seja logo xD). Se você sentia falta de um jogo de horror psicológico sem banhos de sangue e inimigos everywhere, mas também não quer passar o tempo todo somente andando e pegando documentos, tenho certeza de que Layers of Fear vai se tornar um dos, senão o, seu jogo favorito.

P.S.: os órfãos de P.T./Silent Hills que citei no início terão uma bela surpresa durante o jogo...


NOTA: 10

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