11 de nov de 2014

Session 9

Título Original: Session 9
País de Origem: Estados Unidos
Gênero: Horror, Mistério
Classificação etária: R (pela MPAA)
Duração: aproximadamente 95 minutos
Lançamento: 10 de Agosto de 2001 (nos EUA)
Roteiro: Brad Anderson, Stephen Gevedon
Direção: Brad Anderson
Distribuição: USA Films e Scout Productions

Elenco: David Caruso (Phil), Peter Mullan (Gordon), Brendan Sexton III (Jeff), Stephen Gevedon (Mike), Josh Lucas (Hank) [+]

Sinopse: Cinco removedores de asbestos, liderados por Gordon (Peter Mullan) e Phil (David Caruso), chegam ao hospital psiquiátrico Danvers State para tentar completar uma remoção de asbesto em apenas cinco dias. Conforme os dias passam, cada um deles começa a se estressar devido ao trabalho difícil quanto ao prazo e o ambiente irritante. Além disso, a sua desconfiança em relação uns aos outros é desequilibrada pelo aumento da sensação de que algo está ocorrendo mal no edifício. Lentamente, o filme revela o passado psicológico dos homens, enquanto testam o seu relacionamento. 

Trailer:


Vai Lendo!
James, a ficha do filme não tá um pouco incompleta não? O_õ

Infelizmente não, e é logo nisso que começo. Session 9, a exemplo de Jacob's Ladder, nunca foi lançado oficialmente aqui no Brasil. Parece que filmes "muito independentes" (se é que isso existe) ou que exigem um pouco mais do cérebro do espectador são fadados a não saírem aqui nessas terras. Vai saber a verdade...

Confesso que também não conhecia esse filme até 2003, quando surgiu a tradução do livro Lost Memories, junto com Silent Hill 3. Nesse livro os produtores da série de jogos explicam as influências dos mesmos, e um dos filmes da lista é exatamente Session 9. Ridiculamente Óbvio que eu corri atrás loucamente e assisti com o maior entusiasmo.
Poderia ter tido a maior decepção, porém foi o contrário: achei o filme ótimo!

Não seria justo compará-lo com Jacob's Ladder, mas ele "tá quase lá". É levemente confuso, obscuro e sutil da maneira que geralmente me agrada nos filmes.

Logo no início percebe-se que Gordon está meio perturbado por algo e esconde o motivo de seus companheiros de trabalho. Após firmar um contrato para a descontaminação do hospital em um prazo quase suicida (inicialmente deveriam ser três semanas, Gordon reduz para duas e no fim diz que consegue terminar em uma semana), os outros membros da equipe começam a aparecer e trazem consigo suas características: Hank está com a ex-namorada de Phil e insiste em provocá-lo com isso, Mike já trabalha com Gordon há cinco anos e Jeff é sobrinho de Gordon e um jovem claramente irresponsável/inconsequente.

Em determinado momento, Mike desce até o porão do hospital e encontra caixas com gravações em áudio de uma sessão da chamada "terapia de memória reprimida", feita com a paciente Mary Hobbes. A paciente sofre claramente de um Transtorno Dissociativo de Identidade (também conhecido como "múltiplas personalidades") e tem 3 alter-egos: a Princesa, Billy e Simon. Nas fitas o médico entrevista a paciente para tentar fazê-la recuperar a memória do evento traumático que a levou à loucura. É daí que surge o nome do filme, já que a última fita é exatamente a sessão 9 da terapia e o desfecho da história.

O filme não se prende apenas nisso, ou seja, você não vai ficar ouvindo sessões seguidas de entrevista em áudio e querendo saber como tudo termina. Como dito no início, os personagens começam a ficar estressados devido à pressão de terminar o serviço dentro do prazo e lentamente todos eles mostram esconder algo estranho sobre sua personalidade.

Hank encontra moedas antigas no que aparenta ser o crematório do hospital. A ganância o leva a voltar lá à noite e sozinho, e ele foge para um cassino.

Gordon vê Phil conversando com sujeitos estranhos no jardim do hospital e, contrariando sua fama de Mestre Zen, começa a perder a calma e a julgá-lo. Mike começa a ficar levemente obcecado com as fitas das sessões e com o caso de Mary Hobbes. Jeff está lento demais com o serviço. Tudo isso culmina em uma reação quase em cadeia, onde todos eles chegam a seu nível máximo de estresse e algo acontece.

As atuações são muito boas, mesmo dos personagens (como Jeff) que são supostamente "sem graça". Não é culpa do ator, o personagem é que foi desenvolvido dessa maneira. Sem dúvida nenhuma, o destaque fica para Peter Mullan, em certas partes a atuação dele chega a assustar de tão perturbadora.

[Fato bocó random: creio que seja difícil não perceber que dois dos personagens trabalharam juntos em CSI... :P]

A trilha sonora é ótima, bem executada e dá o tom certo para o clima tenso do filme. As músicas têm geralmente um tom Dark e são pontuadas por alguns poucos acordes de piano (alguns deles meio desafinados propositalmente). Achei interessante particularmente por não ser harmoniosa e por abusar do uso de sons misturados (principalmente de batidas meio metálicas e uma percussão estranha).

O final do filme não é algo absurdamente imprevisível ou inédito, mas achei muito interessante e completamente aceitável. Faz todo sentido e justifica o desenrolar de toda a trama. Pode não parecer genial (e na verdade não é), porém lembrem-se de que o filme saiu em 2001 e na época esse tema ainda não havia sido tão abordado como é hoje.

Gostei muito de Session 9 principalmente por ter uma história que se desenrola lentamente mas não de maneira cansativa e também por te levar a tirar conclusões precipitadas que provavelmente depois são desmentidas (ou melhor, descartadas). Nem falo nada do clima opressivo e tenso entre os personagens e até do lugar em si (hospitais psiquiátricos sempre têm uma certa aura meio obscura e misteriosa). Outro ponto positivo do filme foi não precisar usar de temas paranormais ou sobrenaturais, ele é completamente psicológico e tudo se desenrola muito bem.


Mas criatura, afinal que raios de influência esse filme teve sobre Silent Hill?

Eita, calma! xD

O local onde o filme ocorre por si só já fica fácil de reconhecer, já que várias partes dos jogos se passam em hospitais. Em Silent Hill 0rigins há inclusive uma ala de um hospital psiquiátrico no qual é feita hidroterapia e também a reclusão. Os locais são geralmente cercados por grades e cheios de corredores escuros, compridos e estranhos. Porém, a influência mais citada e óbvia é logo a primeira cena do filme. Acredito que isso não seja spoiler, então vou descrevê-la: um corredor mal iluminado aparece, no meio do qual há uma cadeira de rodas sendo iluminada pela luz que sai de uma porta. Em Silent Hill 3, exatamente no cenário onde Heather passa por uma clínica mental, vê-se a mesma cena.

Queria que ficasse claro que gostei desse filme não por ele ter influenciado a série de jogos que mais gosto, mas por mérito próprio. Vários dos filmes que também são citados como fonte de inspiração para Silent Hill eu já assisti e simplesmente não gostei. Um deles, por sinal, é provavelmente minha próxima análise ;D

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