31 de jan de 2014

Rabbits

Título Original: Rabbits
País de Origem: Estados Unidos
Gênero: Fantasia/Abstrato/Surrealista
Classificação etária: não disponível
Tempo de Duração: 42 minutos (50 minutos anunciados)
Ano de Lançamento: 2002
Roteiro: David Lynch
Direção: David Lynch
Elenco: Scott Coffey (Jack), Laura Elena Harring (Jane), Naomi Watts (Suzie).
Vai Lendo!

 James, sério mesmo que isso já começa sem classificação etária, sem sinopse e sem trailer?

Povo, calma lá, tudo a seu tempo :P
Primeiro, é uma produção de David Lynch, então não tente encontrar muito sentido (sejamos sinceros: não procure sentido algum nesse caso! :P). Segundo, a duração está descrita como 42 minutos, mas 50 anunciados porque na versão que eu consegui o vídeo todo tem 42, porém o IMDb o define como 50. Terceiro, experimente clicar no link anterior e ler a página da obra no IMDb: nem mesmo lá existe muita informação sobre ela.

Rabbits é aquela típica produção Lynchesca (se é que existe esse termo xD): bizarra, surreal, sem sentido e bem Noir, mas fantástica e perfeita em sua proposta. Originalmente a obra foi lançada no site oficial do diretor, em 8 episódios de 9 minutos cada um. Isso somaria 72 minutos, mas acredito que os créditos ou alguma outra parte de cada um deles foi cortada e tudo foi sintetizado em um único vídeo. Existe, ainda, uma "continuação", chamada de Darkened Room; talvez por isso a duração exata seja tão incerta.
Por definição, o filme é um média-metragem sem trama (o que em Inglês eles chamam de plotless). É por isso que não tem como definir uma sinopse, já que é tudo uma viagem tão estranha que nem mesmo depois de assistir umas 4 vezes eu consigo montar algo que faça sentido. Tudo se passa em uma sala, na qual aparecem três atores vestidos de coelho: duas mulheres e um homem. São mais ou menos um tipo de antropomorfia/antropozoomorfia, ou seja, eles são coelhos mas comportam-se e vestem-se como humanos.
Na sala há um sofá, uma tábua de passar e alguns abajures. Chove o tempo todo do lado de fora. Uma das coelhas, Suzie, fica passando roupa quase o tempo todo. O coelho, Jack, é aplaudido toda vez que aparece em cena. A outra coelha, Jane, geralmente fala coisas relacionadas ao tempo e à passagem dele. As falas e reações são completamente desconexas, como por exemplo quando Jack pergunta se alguém ligou, Jane pergunta que horas são e o público ri.

Em determinada parte surge um "quarto" personagem, que não aparece. Jack apenas o menciona e não há mais explicações. Outro "quinto" personagem, aparentemente um urso, aparece em um dos momentos psicóticos, também típicos de obras de David Lynch.
Durante o tempo todo você fará "cara de ué" com os diálogos nonsense e ficará tentando bolar teorias para explicar o que ocorre. Nem ao menos posso citar cenas sem dar spoilers, e isso em si já é estranho porque não existe roteiro linear. Há várias (e bota várias nisso!) possíveis explicações na internet, mas apenas Lynch e sua mente insana podem confirmar; isso se realmente existe um propósito real...

O final?
Bom, é óbvio que o final não é conclusivo e acontece de repente. É exatamente aquilo que eu disse no início: não há como definir a trama e muito menos a conexão entre as falas ou tudo o que acontece; por isso é tão difícil descrever a obra para recomendá-la. Não sei se minha paixão pelos trabalhos de Lynch e por coisas psicodélicas desse tipo me fez apreciar tanto Rabbits, mas foi uma viagem que recomendo muito a todos os que têm a mente aberta e conseguem apreciar obras declaradamente surreais.

Nota: 10

Algumas curiosidades:
- O roupão rosa vestido por Suzie (Naomi Watts) é o mesmo que a mesma atriz usou em 2001 no filme Mulholland Dr.;
- Os três atores também são protagonistas em Mulholland Dr.;
- No filme Cabana do Inferno (2002), uma cena mostra uma roupa de coelho no hospital. Apesar de muitos relacionarem a cena a Donnie Darko (2001), ela surgiu de Rabbits;
- O ator Scott Coffey, que interpreta o coelho Jack, faz o papel de Jack Rabbit em Império dos Sonhos (Inland Empire - 2006);
- A trilha sonora segue a eterna parceria entre Lynch e Angelo Badalamenti, que fez as músicas de praticamente todas as obras do diretor;
- Alguns dos elementos típicos das obras de Lynch são facilmente percebidos em Rabbits: o clima surreal, a trilha sonora claustrofóbica, os momentos de psicose (geralmente com luzes piscando e/ou som muito alto), o passo lento e o tradicional telefone preto. Faltou apenas a presença de cortinas vermelhas ;D

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