27 de dez de 2012

Dead Space

Título original: Dead Space 
Gênero: Survival Horror/Terror/Gore 
Classificação: Maiores de 18 anos 
Número de jogadores: 1 
Lançamento: Outubro de 2008 
Produzido por: Electronic Arts e Visceral Games 
Plataformas: PlayStation®3, Xbox®360 e PC
Sinopse: Uma nave de mineração espacial sofre um apagão depois de desenterrar um estranho artefato em um planeta distante. O Engenheiro Isaac Clarke embarca na missão de reparo, apenas para descobrir um banho de sangue e pesadelos. Agora Isaac está isolado, preso e lutando por sua vida.

Vai lendo!

Poooovo do meu Brasil...

[momento desculpa esfarrapada justificativa]

Não esqueci (e muito menos desisti) das postagens sobre jogos. Apesar de a galera andar meio desanimada e não ter comentado em nenhuma das outras análises, o que realmente me fez demorar mais tempo do que esperava foram duas coisas:
1- meus horários no trampo andam literalmente horríveis, e estão piorando cada vez mais... Apenas hoje consegui tempo para realmente me dedicar a escrever sobre o jogo; 
2- vi que a Ninne havia postado algo sobre filmes, então resolvi adiar meu texto para não congestionar o blog.

OK, dada a desculpa, vamos ao que interessa!




Dead Space é um jogo de tiro com uma premissa interessante e original, cuja execução trouxe novos ares a um gênero que andava meio saturado, o de jogos de terror.

[pausa chata pro James explicar algo]

Tenho o costume de usar dois termos diferentes para classificar jogos/filmes: horror e terror. Uso “horror” para indicar o medo subjetivo, psicológico ou mais sutil, de obras que não fazem uso de clichês ou elementos típicos. São jogos e filmes que usam mais o lado do sentimento, seja com um ambiente de ficção científica ou sobrenatural. Já o “terror” é mais físico, visceral e usa elementos como a dor e a violência. Em suma, o horror é mais psicológico e o terror é mais físico. Não considero essa a definição universal desses termos, porém é a que costumo usar. Dead Space se enquadra na categoria Terror e, através dessa análise, ficará claro o porquê.

[fim da pausa até que enfim!]

A história é a seguinte: estamos em um futuro não muito distante, mas sem sabres Jedi e teletransportadores. É comum no universo uma prática conhecida como “colheita de planetas”, na qual são utilizadas máquinas para literalmente garimpar planetas considerados mortos em busca de elementos valiosos, já que os recursos da Terra esgotaram-se completamente. Uma nave, a USG Ishimura, está em uma missão de garimpar o planeta Aegis VII, porém logo após encontrarem um artefato estranho (chamado de Marker) algo dá errado e a nave fica totalmente incomunicável. A Terra envia outra nave, a USG Kellion, para investigar com uma tripulação formada por Zach Hammond, Kendra Daniels e Isaac Clarke (além do piloto e co-piloto cujos nomes não são ditos abertamente no jogo). Ao tentar abordar a Ishimura, problemas na Kellion fazem com que a nave caia. Após a queda você toma o controle de Isaac e deve vasculhar/consertar a nave, descobrir o que está acontecendo de errado e tentar resolver com a ajuda de Kendra e Hammond.

Hammond mandando em Isaac de novo, digo, dando ordens direções a ele

Logo na primeira cena você vê um pequeno vídeo com uma mulher, loira, falando sobre a tristeza de estar sozinha. Ela é Nicole Brennan, esposa de Isaac, e faz parte da tripulação da Ishimura. O vídeo que Isaac assiste foi enviado antes da comunicação ser cortada. Hammond promete a Isaac que após completar a missão, ele e Nicole poderão se reencontrar. Essa é a segunda motivação do jogo.

No início da busca Isaac e seus amiguinhos são surpreendidos com um alerta de quarentena, aparentemente inofensivo. No maior estilo Alien a equipe dá de cara com criaturas grotescas e cheias de fúria, que atacam e matam tudo aquilo que vêem, mostrando que a quarentena não é exatamente tão calma quanto pensavam e que a Ishimura não está, de fato, vazia. Pronto, você tem o básico de um jogo de terror: a história, a motivação e os inimigos. Mas é claro que não pára por aí.

O diferencial de Dead Space é a utilização de elementos de ficção científica em um jogo de terror, como, por exemplo, lasers e gravidade zero. É incrivelmente funcional, já que o pânico só cresce quando, sem gravidade, as criaturas podem aparecer de qualquer canto ao seu redor. Você conta também com câmaras e locais onde há apenas o vácuo e, obviamente, seu oxigênio é limitado.

Os ambientes são todos acinzentados e metálicos, afinal você está dentro de uma nave, e tudo parece ter sido abandonado às pressas numa tentativa fracassada de evacuação emergencial. Você vê sangue e corpos em todos os cenários. Alguns dos locais são comuns, como necrotérios e refeitórios, e outros são diferentes (por exemplo, a sala do gerador).

Os inimigos do jogo são os integrantes da tripulação da Ishimura, mortos e trazidos de volta à vida graças ao poder do Marker. Essas criaturas, grotescas, retorcidas, deformadas e mutantes, são chamadas de Necromorphs. Aparecem por toda parte durante o jogo, oferecendo resistência e trazendo dor de cabeça (esse é o objetivo dos inimigos em qualquer jogo).

O controle é preciso e tem resposta rápida, apesar de ter certo excesso de combinações (isso é comum nos jogos hoje em dia, então não chega a ser algo negativo). Você pode atacar com tiros (com uma variedade grande de armas), com socos e/ou pisões. Outro diferencial, aliás um dos pontos que virou marca registrada da série, é que para matar os inimigos você não irá apenas atirar neles. Os Necromorphs não morrem com um único tiro, nem mesmo na cabeça, então a tática para derrotá-los mais depressa é desmembrá-los. Isso mesmo, arrancar os membros com tiros para matá-los com mais eficiência! É aí que o jogo começa a ficar violento e sangrento, dando a fama que ele carrega hoje. Você arranca os braços e pernas de um bicho para que ele morra, e há casos em que mesmo sem cabeça, eles continuam correndo em sua direção (é assustador ver um bicho sem cabeça e sem um braço, rastejando e emitindo grunhidos grotescos, querendo te matar).

Para ajudar a derrotar os inimigos e também a passar em várias partes do jogo, Isaac conta com dois dispositivos. O primeiro deles “reduz o tempo”, ou seja, deixa tudo em câmera lenta. Ao atirar com esse dispositivo em um objeto, ele cai ou movimenta-se mais devagar. Nos inimigos, ele retarda os movimentos, tornando mais fácil matá-los ou fugir quando você está sem munição. O segundo é um aparelho de telecinese, que permite a ele segurar coisas em pleno ar/fazê-las levitar. As armas e dispositivos podem ser melhorados usando-se as bancadas (no jogo, chamadas de Bench) juntamente com Power Nodes (espalhados pelos cenários e derrubados por alguns inimigos). Nas bancadas você pode aumentar o poder de fogo, a área de alcance, a quantidade de munição e até mesmo abrir certas funções bônus para as armas. Os equipamentos são melhorados aumentando-se, por exemplo, a duração da redução do tempo ou adicionando mais um ponto de energia. Há, ainda, lojas (Stores) onde você pode comprar munição, armas, itens e deixar/pegar os objetos que não está usando (exatamente como o baú de Resident Evil).

Outro equipamento é o Localizador (Locator), que mostra um feixe de luz azul na tela, indicando a você o caminho até o próximo objetivo. É extremamente útil nas partes onde você fica sem saber para onde ir (ou sabe, mas esqueceu :P).

Os chefes de fase são escassos, você encontra apenas dois durante o jogo todo, mas obviamente de escala titânica. Não vou dizer como eles são nem onde estão, já que isso tiraria totalmente a graça e a surpresa de quando você chegar até eles >:D

A trilha sonora do jogo, assim como acontece em vários outros, é um elemento à parte. Em Dead Space arrisco dizer que ela é simplesmente metade da atmosfera do jogo. É incrivelmente bem composta, possui temas marcantes (embora simples) e as melodias são medonhas, no melhor dos sentidos. Não chegam a ser distorcidas, mas ouvir as músicas à parte já chega a dar um clima macabro. Quem já assistiu LOST vai reconhecer bem os estilos de música: possuem batidas fortes, sons metálicos e um excesso delicioso daqueles toques “esticados”, que te deixam apreensivo por não saber o que vem a seguir. Além das músicas, os efeitos sonoros também são perfeitos: canos caindo, batidas nas paredes, algo correndo, em toda parte você ouve algo que não dá um segundo sequer de alívio. Some a isso sustos repentinos (que funcionam muito bem!) e você tem tensão o tempo todo no jogo. O único momento no qual é possível respirar fundo e relaxar é quando você vê o trem que utiliza para ir até o nível seguinte.

Com tantos pontos positivos, seria difícil achar algo do que reclamar, certo?

Errado!
São coisas simples e que de forma alguma prejudicam o jogo em si, mas poderiam ser melhoradas (algumas foram, no segundo jogo). O mapa é a primeira delas, absurdamente inútil e confuso, você não vai usar em praticamente nenhuma parte do jogo. Com visão tridimensional e controle horrível, ele possui marcações dos locais onde você encontra bancadas, lojas e pontos de save, porém você raramente vai saber exatamente onde está e como chegar até onde quer. Eu tentei usar o mapa duas vezes, não consegui e acabei terminando o jogo sem nem mesmo abri-lo de novo. Apenas usando o Locator você consegue dispensar o mapa sem o menor problema.


Isaac, apesar de ser o protagonista do jogo, não fala absolutamente nada. É incrível, durante a história absolutamente toda ele só faz o que mandam e grita quando os inimigos o atacam (ou quando pisa neles). É o maior “pau mandado” da história dos videogames!

O final do jogo é ridículo. Não digo o que acontece no final em si, já que antes do desfecho há revelações ótimas e surpreendentes, mas quando finalmente você termina a última missão, a cena dura vinte segundos e não tem sentido. Aliás, a abertura (logo depois da Kellion bater contra a Ishimura) e o final são as duas únicas vezes em que você irá ver o rosto de Isaac.

Esse foi/é Dead Space, um dos melhores jogos de terror (de acordo com minha definição lá em cima) que joguei ultimamente. Usando os mesmos termos clichê das minhas análises, o jogo tem atmosfera envolvente, músicas perfeitas para dar o clima e jogabilidade atraente. Violento quase em excesso, não deve agradar muito aos que não gostam de sangue e tripas. Falando nisso, é outro ponto que gostaria de usar como mote para “jogue, você vai gostar muito!”: eu não gosto quase nada de mídias que apelam para o físico, jogando sangue, cabeças, pernas, braços e tudo que são membros na sua cara; porém, Dead Space foi surpreendentemente agradável, gostei muito de jogá-lo e recomendo a todos! Com mais três jogos depois do primeiro, é fácil perceber que não foi à toa o sucesso dele, hã? ;D

Isaac, não olhe agora, mas...

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