5 de dez de 2012

Alone in the Dark: The New Nightmare

Título original: Alone in the Dark: The New Nightmare
Gênero: Horror/Survival Horror
Classificação: Mature (maiores de 17 anos)
Número de jogadores: 1
Lançamento: 25 de Junho de 2001
Produtora: DarkWorks
Distribuidora: Infogrames
Plataforma(s): PC, PlayStation®, PlayStation®2, Dreamcast® e GameBoy® Color

Sinopse: Edward Carnby e Aline Cedrac estão a ponto de enfrentar um pesadelo além de sua imaginação mais obscura. Enquanto investigam o assassinato de um amigo, Carnby e Cedrac aventuram-se na misteriosa Shadow Island e descobrem que ela é o lar de incontáveis adversários malévolos. Mas as criaturas da noite são apenas um prenúncio do terror final que está a ponto de ser libertado....

Vai Lendo!

Retornando do espaço Swedenborgiano, finalmente consegui tempo para redigir outra crítica. Não que eu nunca tenha tempo, mas só dessa vez pude usá-lo especificamente dedicado a escrever sobre esse jogo. Pretendia escrever sobre outro, mais recente (ou seria menos velho?), mas o espírito nostálgico me pegou esses dias e me vi jogando mais uma vez um dos melhores jogos de horror de "antigamente". Falo de...
[♪ ta-daaaa] Alone in the Dark: The New Nightmare. O outro jogo fica pra próxima análise, OK? ;D

Alone in the Dark, o primeirão, é considerado o pai de todos (todos mesmo) os jogos do gênero agora extinto Survival Horror. Infelizmente eu nunca joguei nenhum dos dois primeiros, apenas o início do terceiro jogo, em um PC lastimável que deixava tudo parecendo um embolado de polígonos andando por labirintos quadrados, então não posso dizer nada sobre eles. The New Nightmare é o quarto jogo da série, lançado em várias plataformas e que fez bastante sucesso com a fórmula que utilizou. Primeiro, vamos à história.

Edward Carnby, famoso detetive que aparece nos três primeiros jogos, viaja no dia 30 de Outubro até um local chamado Shadow Island, para investigar o desaparecimento de um amigo, Charles Fiske. Junto com ele vai a Dra. Aline Cedrac, arqueóloga, que está interessada em estudar três artefatos da tribo indígena Abkanis, e vai buscar contato com o Professor Obed Morton (que mora na ilha). Ambos vão até Shadow Island em um avião, mas quando estão quase pousando algo intercepta o avião e os faz cair, obrigando Carnby a pousar na floresta ao redor da mansão Morton e Aline no telhado da mansão. Durante a busca individual, eles vão encontrar criaturas bizarras, aparentemente vindo das sombras, e terão algumas surpresas...

Edward Carnby dentro da mansão Morton, procurando por Aline Cedrac
O jogo começa já com uma opção não tão comum na época, a de escolher entre dois protagonistas, cada um com uma linha de acontecimentos própria. Embora teoricamente eles tenham caminhos diferentes, durante o jogo é possível comunicar-se entre si usando um rádio. Carnby, como dito, precisa primeiro achar um jeito de chegar até a mansão Morton e encontrar-se com Aline; já Aline precisa conseguir sair do telhado da mansão, atravessá-la e encontrar-se com Carnby.

Os gráficos do jogo são muito bem feitos considerando-se a época em que foi lançado. Os cenários são totalmente construídos com gráficos pré renderizados (ou seja, estáticos mas com maior qualidade gráfica) e os personagens são poligonais. A câmera é fixa e possui ângulos interessantes que ajudam a criar a atmosfera de tensão. Os locais são bastante variados, desde a mansão até esgotos, florestas, pântanos, igrejas, bibliotecas, cavernas e passagens em montanhas rochosas, e sempre muito bem construídos. Um destaque especial vai para a mansão, quando está tudo escuro e você vê a luz do luar entrando pelos vitrais. A iluminação de todas as partes é bem escassa, propositalmente, tornando extremamente útil um dos recursos mais legais do jogo: o uso da lanterna.

Engole chumbo, ou melhor, magnésio, lagarto medonho!
Muito muuuuito antes de Alan Wake pensar em existir, Carnby e Aline já tinham que utilizar a lanterna para afastar as criaturas das sombras (como em toda mitologia, a luz afasta a escuridão). Você pode usar o controle para mirar a lanterna em quase qualquer direção que quiser, usando isso inclusive para resolver determinados enigmas. Além disso, certos itens "invisíveis" no escuro brilham quando iluminados pela lanterna. As armas utilizadas por eles também são geralmente relacionadas a luz, como por exemplo balas de magnésio e cartuchos de fósforo. Há outras opções, como espingardas e lançadores de flares, mas tudo com explicação plausível dentro do jogo. O controle é simples: você mira com um botão e atira com outro, assim como são praticamente todos os jogos. A mira é semi-automática (vocêaponta diretamente para o inimigo mais próximo), então não há muito com o que se preocupar.

Os enigmas estão presentes quase o tempo todo, intercalados com as batalhas com inimigos. Você vai ver muita coisa, desde os tradicionais enigmas com mecanismos em quadros até artefatos místicos que devem ser combinados. As dicas para resolvê-los, como sempre, estão presentes em livros e documentos espalhados pelos cenários, quase sempre fáceis de encontrar. Há pontos interativos que causam efeitos interessantes, mas não vou contar quais são para não estragar a surpresa.

As criaturas que você enfrenta também são variadas. Quase sempre de aspecto meio reptiliano, são esquisitas e meio distorcidas. Além dos répteis você encontra também cachorros e "zumbis" (até hoje não sei exatamente se eles são zumbis, embora preencham todos os requisitos clichê para isso — andam devagar, te mordem e ficam gemendo enquanto se arrastam pelos locais). É claro que você vai enfrentar alguns seres humanos e chefes de fase não tão humanos assim. Outros personagens aparecem para contribuir com a história, como Edenshaw, o último índio Abkanis, e a Sra. Morton, entrevada a uma cama e confusa o tempo quase todo. É claro² que não vou dizer muito sobre eles, já que a história é um dos chamativos do jogo.

A arqueóloga poligonal Aline Cedrac, em uma das salas da mansão Morton

A trilha sonora é peculiar, digamos. Soa meio artificial, parece um pouco com sons MIDI, mas é extremamente competente. Os tons e melodias são sinistros e completam o clima de horror que o cenário e os inimigos também constroem. Seguindo a linha de praticamente todo jogo, quando algum inimigo aparece ou quando a situação fica mais tensa, as músicas também acompanham, com batidas mais fortes e ficando ainda mais obscuras. Os efeitos sonoros também são bem feitos, os grunhidos das criaturas assustam em determinados momentos e o som de fundo (como vento e chuva) são convincentes. A dublagem é muito boa, embora as situações soem um pouco absurdas (em Alone in the Dark isso é típico, então não é problema algum).

O encontro de Carnby e Aline
De pontos fortes no jogo posso citar o uso inteligente da lanterna, especialmente em determinada parte onde você acha um acessório para ela (não vou dar spoilers, jogue e comprove >:D). Vários jogos usam lanternas, mas elas parecem meio dispensáveis; isso não ocorre em AitD. A história também é cativante, você vai querer jogar até o fim para saber o que acontece. A sacada de usar dois personagens com caminhos diferentes foi genial, embora não inédita, porque torna o jogo duas vezes mais interessante já que cada um tem uma história e propósito únicos. A capacidade de se comunicar com o outro personagem também foi algo que ajudou muito, especialmente em determinadas partes onde você não sabe o que fazer. Em alguns momentos você literalmente é obrigado(a) a chamar Aline ou Carnby pelo rádio, pois somente o outro é que pode fornecer pistas sobre como proceder. A atmosfera do jogo, o clima de filme de horror antigo, também é ótima. Não sei se o fato de chover o dia inteiro quando joguei ajudou a me fazer gostar tanto assim (isso acontece no jogo), mas acredito que não seja somente isso.

Aquiii, bichiinhooooo... BAM!
Um fato que ajudou muito o jogo a ter ainda mais alcance foi a dublagem totalmente feita em Língua Portuguesa. E não foi algo absurdamente ridículo como muito jogo moderno (cof! Uncharted 3 cof! cof!), a Greenleaf (distribuidora do jogo aqui no Brasil) caprichou e chamou dubladores conhecidos. Carnby, por exemplo, é dulado por Sérgio Moreno, que já fez as vozes de Ken Masters (na animação de Street Fighter II), Jack Shephard em LOST, Pierce Brosnan, Denzel Washington e Tom Cruise (em vários filmes). Aline é dublada por Márcia Regina, voz de April em As Tartarugas Ninja, Misty (Pokémon), Amanda (de Ugly Betty) e das atrizes Jennifer Love Hewitt, Brittany Murphy, Scarlett Johansson, entre outras. Os outros dubladores são, sem menosprezar suas carreiras por não citar os trabalhos, Armando Tiraboschi, Anízio Neto e Marcos Júnior. A dublagem saiu primeiro na versão de PC, obviamente, mas mais tarde saiu também na versão de PlayStation®2. Até hoje não sei se essa versão é um MOD feito por fãs ou se é um lançamento oficial (tenho essa versão dublada e o jogo é bastante bugado, por isso acredito ser algo não oficial).

Toda essa correria e meu cabelo... impecável! xD

Há alguns pontos negativos, também. A dificuldade é um pouco elevada, mesmo nos níveis mais fáceis. Os enigmas em determinados momentos são tão confusos que quase dá vontade de largar tudo ou apelar para os Detonados. A segunda metade do jogo com Aline é meio incômoda, você passa quase o tempo todo procurando partes para montar um perfurador e as instruções para montá-lo são bem confusas. O controle meio travado atrapalha um pouco na hora dos confrontos, principalmente contra os "zumbis", que conseguem grudar em você praticamente sempre. Em algumas partes você gasta quase toda a munição para matar o que está no caminho, entra em uma sala, não encontra nada e, quando sai, PAN! Eles estão de volta e você tem vontade de lascar uma bomba atômica e explodir todos juntos.

Acho que já é o suficiente, embora me pareça que o texto ficou curto (tenho o costume de me empolgar e escrever demais, mas acho que isso todo mundo já percebeu :P). Alone in the Dark: The New Nightmare, a quarta versão do jogo que iniciou o gênero sucedido por Resident Evil, Silent Hill e, hoje em dia, vários outros, é um jogo muito bom. Possui história interessante, personagens cativantes e a atmosfera é bastante convincente. Tem alguns pontos negativos que talvez afaste os jogadores iniciantes, mas nada que um pouco de persistência não resolva. Altamente recomendado, principalmente para quem, assim como eu, acha que hoje em dia os jogos desse estilo estão cada vez mais escassos.

Bom jogo! o/

Nenhum comentário:

Postar um comentário

• Faça pedido de parceria somente na página reservada para isso.

Não aceitamos comentários ofensivos. Se quiser criticar a postagem, critique com educação.

Spams não serão aceitos. Aqui não é lugar para você divulgar seu site, blog ou seja lá o que for.

• Lembre-se de que o Vai Assistindo possui mais de um autor. Portanto, a crítica de cada um deles não expressa a opinião de todos os outros autores. Procure ver logo abaixo do título de cada postagem o nome do autor que a criou.

• As opiniões expressas nos comentários não refletem as dos autores do blog.