20 de nov de 2012

Terror em Silent Hill (Silent Hill)

Terror em Silent Hill (Silent Hill), 2006Título Original: Silent Hill
Título no Brasil: Terror em Silent Hill
País de Origem: Canadá/França
Ano de Lançamento: 2006
Estréia no Brasil: 18/08/2006
Gênero: Terror
Classificação etária: Inadequado para menores de 18 anos
Duração: 125 minutos
Estúdio/Distrib.: Davis Films
Roteiro: Roger Avary
Direção: Christophe Gans

Elenco: Radha Mitchell (Rose Da Silva), Sean Bean (Christopher Da Silva), Laurie Holden (Cybil Bennett), Deborah Kara Unger (Dahlia Gillespie), Kim Coates (Oficial Thomas Gucci), Tanya Allen (Anna), Alice Krige (Christabella), Jodelle Ferland (Sharon/Alessa) [+]

Sinopse: Baseado no jogo de ação e terror campeão de vendas, Terror em Silent Hill é estrelado por Radha Mitchell (Chamas da Vingança) como Rose, uma mãe desesperada que leva sua filha adotiva, Sharon, para a cidade de Silent Hill na tentativa de curá-la de seu sofrimento. Após um violento acidente de carro, Sharon desaparece e Rose começa sua busca desesperada para recuperá-la. Ela entra em uma neblina de cinzas e vai de encontro ao terrível segredo da cidade. Perseguida por grotescas criaturas deformadas e outras pessoas da cidade presas em um permanente purgatório, Rose começa a desvendar a verdade por trás do apocalíptico desastre que queimou a cidade há 30 anos. Ouse pisar na horripilante cidade de Silent Hill, onde escuridão predomina em cada alma e as criações do inferno estão à espreita em cada esquina. Mas saiba que ao entrar em Silent Hill... jamais conseguirá sair.

Vai Lendo!

Ahá! Acharam que estavam livres de mim? Ledo engano, meus caros! >:D
Voltei com a última crítica de Silent Hill, porém não do último jogo. Como não tive acesso a ele (nem tenho vontade, sendo bem sincero) e como o foco principal do Vai Assistindo! são os filmes, que oportunidade melhor para falar sobre o ridícula e porcamente traduzido Terror em Silent Hill?
Sei que já existe uma crítica do filme aqui, mas com a permissão da Ninne, adicionarei a minha para complementar e fechar a série. Agradeço novamente o espaço oferecido por ela e principalmente a todos os que leram e curtiram minhas críticas. Comentem, povo, vi no máximo dois comentários até o momento em que redijo esse texto. Cadê a discussão (sadia, claro) entre a galera? Silent Hill merece! :D

Ó, não devia, mas vou avisar de novo, hein? Tem bastante spoilers nesse texto, então se você ainda não assistiu o filme, não leia (sério, vai estragar completamente a experiência!). As fotos eu tirei do meu site, mas o link nelas é de um servidor beeem mais antigo, que nem uso mais (na época meu site só tinha 3 anos de existência :P).

OK, e lá vamos nós! bruxa do Pica-Pau feelings

Muito se falou antes desse filme sair. Discussões ardorosas sobre a viabilidade ou não de estragar a série com um filme visto que, até a época, não havia nenhuma adaptação de jogo para filme considerada ao menos decente. Resident Evil já havia sido lançado (estava em seu segundo filme, se não me engano) e já caminhava para o... o... bom, pro caminho que teve xD

Vários fanmovies foram lançados, alguns deles bem agradáveis, mesmo sendo de baixíssimo orçamento. Eis que Christophe Gans envia para a Konami um pequeno trecho de filme cujo custo foi tirado de seu próprio bolso. A Konami, surpresa, gosta do que vê e decide dar a Gans a chance de colocar nas telonas uma de suas séries de maior sucesso. Arriscado, muitíssimo arriscado, mas eles tinham fé de que tudo ia dar certo no final (que coisa meiga, não? XD).

Começam a brotar informações sobre a adaptação. O roteirista era Roger Avary, responsável, entre outros, pelo roteiro do aclamadíssimo Pulp Fiction. O filme seria produzido pela Davis Films, cujo diretor executivo é Samuel Hadida (que também produziu os filmes de Resident Evil). Modelagem das criaturas a cargo de Patrick Tatopoulos e para a nooossa alegriaaa trilha sonora de Akira Yamaoka editada por Jeff Danna. Saem mais detalhes sobre o roteiro, e é aí que começa o perigo. Mudaram certas coisas que logo de cara desagradaram à maioria dos fãs. Para começar, temos como protagonista Rose DaSilva e...


[mais uma vez, som de freada brusca]

Ouço todo mundo gritando, "comacim como assim uma mulher como protagonista?". A história não ia ser baseada no primeiro jogo, cujo personagem é Harry Mason? Sim, é exatamente isso, a história é baseada no primeiro jogo e sim², Rose é a protagonista. O nome de sua filha é Sharon, também levemente diferente de Cheryl, porém sua existência compartilha dos mesmos fatos. Sharon sofre de crises de sonambulismo, e em todas elas costuma falar/gritar o nome de uma cidade Rio de JaneiroOoOo /brinks

Rose decide que é hora de saber por que diabos Sharon fala tanto de Silent Hill. Christopher, marido de Rose, se opõe ferozmente e acha que seria melhor continuarem a medicá-la. Rose teima e acaba indo à cidade com a filha, sozinhas. No meio do caminho surge um vulto na frente do carro, fazendo com que Rose desvie, causando um acidente. Após acordar do acidente, Rose vê que Sharon está desaparecida e decide sair pela cidade procurando pela filha (olha só, igualzinho ao primeiro jogo! :D). Pronto, dei spoilers de todo o início do filme, mas apenas para ter algo com o que abrir o texto.


A troca de Harry por uma protagonista feminina foi explicada (porém não exatamente justificada) por Gans: assim que começaram a escrever o filme perceberam que o sentimento de Harry em relação à filha era fundamentalmente o de uma mãe, e então decidiram trocá-lo por uma mulher. Nada foi dito sobre mudar o nome de Cheryl, mas como Sharon soa parecido, ninguém achou assim tão ruim.

O desenrolar do filme, que tem mais de duas horas de duração, é controverso: tem pontos extremamente positivos e outros bem negativos. Aparecem vários outros personagens, com relação direta ou não com a história do jogo e/ou do protagonista. Mudaram a base de alguns deles, causando certo "furor" entre os fãs. Não vou descrever todas as cenas porque, como o filme é longo, a crítica ficaria ainda mais extensa. Ao invés disso vou citar certas partes em que tudo é muito parecido ou muito diferente do jogo.

O início do filme é convincente, apesar de terem mudado a razão pela qual Rose vai até a cidade. Cybil também aparece por outro motivo, igualmente aceitável. Assim que o filme realmente inicia, vemos que a representação da cidade foi bem fiel à do jogo: o ambiente todo é coberto por neblina, as ruas são desertas, as lojas e locais parecem abandonados e é tudo belamente decrépito. A única coisa estranha é, ao invés de neve (como no primeiro jogo), caírem cinzas do céu o tempo todo (o que já vou explicar).

Rose desce uma escadaria atrás do que acredita ser Sharon (é estranho, ela não percebeu que a menina que está perseguindo usa saias e meias pretas quase até os joelhos... xD), e é aí que tudo começa a ficar realmente bom, especialmente para quem tem "pobreminhas" gosta de coisas bizarras como esse que vos... escreve :P

Uma sirene começa a soar e, lentamente, a luz vai sumindo. No breu total, Rose acende um isqueiro Zippo e continua a andar. Passa por corredores de grades enferrujadas, vê latões de ferro e em certa parte, encontra uma maca com o que aparenta ser um corpo. Até mesmo os ângulos diferentes da câmera foram reproduzidos. Quando encontra um corpo mutilado preso em uma cerca é impossível não lembrar o mesmo momento no jogo. E logo depois disso, o que ocorre? Brotam criaturas das profundezas do último círculo do inferno que começam a agarrar-se em Rose, obrigando-a a sair correndo. Ao entrar em um boliche, Rose cai, bate a cabeça e depois de um tempo desmaia. Quando acorda, tudo aparenta estar como era antes: deserto, claro e sem criaturas do inferno.

Isso tudo é idêntico ao início do primeiro Silent Hill. Gans havia dito, logo que anunciou o filme, que o roteiro era baseado livremente em vários dos jogos. É, na minha humilde opinião, totalmente aceitável. Transcrever um jogo todinho para um filme não é nada fácil, são duas mídias tão absurdamente diferentes que apenas ter conseguido fazer tudo em 125 minutos já é louvável. Some a isso o fato de Silent Hill ser um jogo de duração considerada longa, no qual em metade do tempo você simplesmente corre e na outra metade resolve enigmas e enfrenta criaturas. E mais: é algo com narrativa não tão linear e muita coisa subjetiva, então visando atingir não apenas os fãs do jogo (que já sabem o que acontece e/ou as explicações para cada coisa) ele e o roteirista decidiram tentar um apelo não tão complexo.

Tudo bem, justificada em parte essa mistureba, vem a história em si. Basicamente ela segue o rumo de Silent Hill 1, ou seja, mãe atrás da filha desaparecida, que tem certa ligação com um Culto obscuro da cidade. Na busca desesperada a mãe encontra outros habitantes da cidade, que vão ajudar ou atrapalhar a vida. Quando decidem colocar mais personagens e mudar certos fatos é que a vaca vai pro brejo começa a destoar.

Logo de início vemos que Dahlia parece mais ser uma mendiga doida que uma feiticeira. Tudo bem que no filme ela também fica dizendo frases estranhas, meio proféticas, mas deixaram-na "boazinha" (no jogo ela sacrifica a própria filha visando seu único proveito). Christopher tem um destaque desnecessário, as seqüências em que ele aparece são quase completamente dispensáveis e não adicionam nada à trama em si. Gucci virou personagem ativo, quando no jogo é simplesmente citado em um dos documentos. A lenga-lenga que se desenrola quando o Culto começa a ter o foco é ainda mais chata, podiam simplesmente tê-lo citado e explicado rapidamente o resultado das obras dele.

Isso é o máximo que posso dizer sobre os fatos dispensáveis. Agora vou tentar apresentar as partes do filme e dizer o que há de bom ou de ruim em cada uma delas.

A semelhança do início é ótima. As ruas, os corredores escuros, grades (enfim, o Outro Mundo no geral) foram muito bem representados. A opressividade dos ambientes é bem convincente.

Ficou estranho, embora justificado, o fato de sempre caírem cinzas pela cidade. Além disso, é incrível que absolutamente nenhum dos personagens tenha um pedacinho sequer de cinza nos cabelos ou nas roupas enquanto anda pelas ruas. A neve fora de época do jogo soaria melhor, ou simplesmente apenas a neblina incessante.

As criaturas são absurdamente bem feitas. Distorcidas (literalmente!) e parecidíssimas com as versões dos jogos. As Grey Children, o Armless Man e principalmente as Nurses/Enfermeiras (a coreografia delas é simplesmente perfeita!) foram representados com muita fidelidade. Até mesmo Colin, criação original do filme, ficou muito bem feito e conseguiu ser perturbador. O único problema é que o nosso amigo Pyramid Head ficou meio diferente, e o pior, não tem razão de ser, se tomarmos como base sua existência nos jogos. Ele existe como projeção da mente de James, como punição pelo que ele fez. Já no filme ele aparece, persegue e mata as pessoas, mas fica por isso mesmo.


Há representação de muita coisa dos jogos, em detalhes sutis como nomes de ruas, lojas da cidade e elementos espalhados. Pena que a maioria deles passa despercebida, ou nem mesmo aparece no filme.

Duas das coisas que foram bem mal aproveitadas: criaturas espalhadas pela cidade e o rádio de Cybil + o telefone de Rose chiando quando elas (as criaturas) estão por perto. Seria ótimo se aparecessem mais Armless Men, por exemplo, e se o chiado voltasse toda vez que qualquer outro bicho se aproximasse.

O uso da trilha sonora inteiramente tirada dos jogos foi um toque de mestre. Akira Yamaoka sempre soube como criar o clima certo (ao menos com as músicas usadas) e as composições refeitas para o filme (com instrumentos reais) ficaram perfeitas. Só é bem chato ouvir repetidamente Promise (Reprise) (da trilha sonora de Silent Hill 2), durante o filme quase todo...

O efeito de transição para o Outro Mundo foi algo incrível. É de encher os olhos quando aquela sirene começa a soar e você sabe que danou-se vai ficar tudo escuro e destruído. A seqüência no banheiro tem destaque especial, foi lindo ver tudo descascando, azulejos quebrando e o ambiente sendo tomado por uma atmosfera macabra.

Na seqüência em que Rose e Cybil correm até a igreja, a atuação dos figurantes é patética. A situação exige um total "lutem por suas vidas", mas eles aparecem correndinho felizes e contentes –q sem a menor preocupação, subindo a escadaria aos montes simplesmente porque o diretor mandou. Pô, é o Outro Mundo vindo, Pyramid Head chegando pra trucidar tudo, tinham que mostrar mais emoção!

Aquele Culto é a coisa mais irritante de todas! Sei que foi extremamente bem representado o fanatismo religioso que sugerem, mas incomoda quando TUDO para eles se resume a "São bruxas! Queimem as bruxas!". Podiam ter deixado isso de lado, é bem dispensável (sempre avanço o capítulo do DVD quando chego nessa parte... xD).

O incêndio da cidade também é justificado, mas também² é dispensável. Poderiam ter tirado a cinza que cai o tempo todo e dito que Alessa foi sacrificada, simplesmente. Sem cortinas queimando e sem fogo que arde há trinta anos.

Nota: a cidade usada como base para a criação da Silent Hill do filme existe, e chama-se Centralia. Nessa cidade, de fato, existe um depósito subterrâneo de carvão que pegou fogo há anos e continua até hoje, emitindo gases venenosos e tornando a cidade inabitável.

A presença da enfermeira de vermelho foi outro ponto muito, muito desperdiçado. No filme ela não tem nem ao menos nome, aparece por 2 minutos e pronto. Havia margem para explorarem bastante a presença dela (podiam tirar a baboseira do Culto e colocá-la no lugar), e custava usarem o nome "original" dela?

A representação de Alessa queimada foi perturbadora. A imagem de uma garota queimada, enfurnada a uma cama, porém com a adição do arame farpado, ficou muito legal. Gans conseguiu transformar algo, digamos, "comum" em algo totalmente Silenthillesco.

O banho de sangue do final do filme (somado à cena do Pyramid Head e Anna) é outro ponto ridiculamente desnecessário. Como já disse nas críticas dos jogos, Silent Hill jamais precisou apelar para o uso excessivo de sangue e tripas para chamar a atenção.

A última cena e o final em si dividem opiniões. Muita gente gosta porque não é algo completamente conclusivo, e muita gente detesta exatamente por isso. Óbvio que quem gosta de finais abertos à interpretação acham que isso foi bom, e isso inclui minha pessoa. Acredito que deixar o público questionando o que pode e não pode ter acontecido é muito mais interessante do que um final "redondo", onde tudo se conclui. E quem jogou Silent Hill 2 deve ter percebido a deixa perfeita para uma continuação...
(dica: marido "perde" a esposa, recebe ligação dela mesmo não sabendo onde ela está e decide ir até a cidade atrás dela)

Bom, tentei falar sobre os pontos que achei melhores e piores no filme. Considero (junto com vários fãs e não fãs também) Silent Hill a melhor adaptação de um jogo para um filme até hoje. Mesmo com seus pontos negativos, ele consegue criar a atmosfera típica da série: ambientes opressivos, músicas macabras, criaturas bizarras e trama "confusa-mas-interessante". Infelizmente a continuação não parece seguir o mesmo patamar, e Silent Hill Revelation 3D recentemente sumiu da lista de datas do IMDb, deixando todos os fãs brasileiros a entenderem que o filme não vai sair aqui no Brasil. Nada de mais, afinal isso jamais impediu que todo mundo tivesse acesso a algum filme (downloads pipocando em 3, 2, 1...).

E terminei minha primeira crítica/participação gigantesca aqui no Vai Assistindo!
Gostei muito de escrever o especial sobre a série que eu mais gosto (apesar do rumo que ela tomou hoje em dia), agradeço mais uma vez o convite e o espaço cedido pela Ninne e principalmente a todos pelo retorno tão positivo. Jamais esperei que minhas críticas agradassem tanto, fiquei extremamente satisfeito quando soube que a galera curtiu, concordou (ou mesmo discordou saudavelmente) e também mostrou seu ponto de vista. Mas ainda tem poucos comentários hein, falem mais! Usem os comentários do facebook (eu sei que todo mundo usa isso hoje XD) e mandem brasa!

Grande abraço e até mais! o/

3 comentários:

  1. eu não conhecia a série silent hill antes de ver o filme, o que pode ter contribuido pra eu achar essecfilme tão legal.
    quando tava assistindo eu pensei: "isso parece um game, têm até os monstros", minha intuição nunca falha.
    Depois do filme eu devorei todos os games da série, meu preferido é sh2 e sh4.
    -Esperando pelo SH Revelations...

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  2. Ótima critica. Mas a Ninnie já tinha feito uma postagem sobre o filme em 2009 http://www.vaiassistindoterror.com/2009/11/terror-em-silent-hill-silent-hill.html#more mesmo assim, ficou ótimo

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    Respostas
    1. Sim sim, o James ressaltou isso no início da postagem xD Considerei que uma crítica vinda de um grande fã e conhecedor da série seria excelente para o blog. Um vez ou outra, teremos críticas repetidas aqui. É legal conhecer outros pontos de vista, não é mesmo?

      Muito obrigada por comentar! xDD

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