27 de nov de 2012

Alan Wake


Título original: Alan Wake
Desenvolvido por: Remedy Entertainment
Publicado por: Microsoft Game Studios 
Data de lançamento: 18/05/2010
Gênero: Ação
Classificação: 17 anos

Sinopse: Neste tão esperado lançamento exclusivo para Xbox 360, torne-se Alan Wake, um homem que ganha a vida aproveitando os terrores dos outros para escrever best-sellers de suspense. Preso na ilusória paz da cidade de Bright Falls em Washington, onde se refugiou para sobreviver ao trauma da perda da sua noiva, Alan tem que desvendar um mistério para escapar de uma vida eterna de pesadelos.
Alan Wake, um suspense psicológico da Remedy, criadora de Max Payne, oferece uma experiência verdadeiramente cinematográfica. Explore um mundo cheio de missões, enigmas exclusivos, combates intensos e inimigos horrorosos. Mergulhe num enredo denso com suspense, personagens cativantes e revelações chocantes.

Vai lendo!
 
Povo do meu Brasil –q, agora que é definitiva a minha participação na equipe do VA (uhul! \o/), farei críticas/análises de jogos de horror/terror e venho fazer a primeira crítica de algo que não é Silent Hill. Por sorte ele ainda não foi postado aqui, então aproveitei o embalo (e o vício) para falar sobre Alan Wake, jogo infelizmente "pseudo-exclusivo" de X360 (já vão saber por que "pseudo"). Como é de costume, há apenas um ponto que eu gostaria de deixar claro antes de iniciar o texto: por ser exclusivo de X360 e posteriormente lançado para PC, infelizmente² não tenho o jogo e não joguei tanto quanto gostaria. Na verdade terminei apenas uma vez, mas foi o suficiente para ter certeza da minha opinião. Obviamente e por esse motivo não tenho conhecimento aprofundado, porém vou me esforçar ao máximo para levantar os pontos que me chamaram a atenção. Há alguns poucos spoilers, mas nada de grave ou que estrague a experiência em si.

Alan e sua inseparável lanterna
Alan Wake é, como eu já estraguei disse ali em cima, um jogo que foi lançado originalmente como exclusivo de X360 e lançado algum tempo depois para PC. Foi criado e desenvolvido pela Microsoft Game Studios (por isso a exclusividade) com a colaboração da Remedy Games e, apesar da qualidade inegável, é um jogo menos conhecido do que deveria e com classificação, em minha opinião, mais baixa do que merece. Sim, gosto muito do jogo, e vamos aos porquês!

Assim que foi anunciado, Alan Wake já tinha um diferencial: era declaradamente influenciado por obras de vários autores de horror, dentre os quais Stephen King e Hitchcock (fraco, hein? ;D). É claro, apenas falar isso não queria dizer nada, já que o jogo poderia ser terrivelmente mal executado. Quando as imagens começaram a sair e a trama começou a ser revelada, viu-se que a equipe de desenvolvimento não estava de brincadeira. O gráfico parecia ótimo, a ambientação melhor ainda, e definiu-se o elemento-chave do jogo: a eterna luta entre luz e escuridão. Depois de adiarem o lançamento por um bom tempo, finalmente o jogo sai.

A história fala sobre Alan Wake, famoso escritor de contos, que está sofrendo de um mal comum no meio: o bloqueio de escritor. Ele não consegue inventar nenhuma história desde o lançamento de seu último livro e decide viajar com a esposa, Alice, até a pequena cidade de Bright Falls, espairecer e, quem sabe, fazer com que seu bloqueio desapareça. Durante sua estadia na cidade Alice é raptada, e é esse o motivo pelo qual Alan enfrenta tudo o que se passa no jogo. O porém é que, além do rapto de Alice, outros fatos estranhos começam a perturbar Alan e a trama do jogo fica mais profunda.

Imagem prévia de um dos cenários, nem um pouco O Iluminado, hein?
Logo no início percebe-se um cenário (e uma cena) que lembra muito a introdução de O Iluminado, de Stephen King. Aliás, a primeira frase que Alan diz já começa com o nome do autor. Ele e a esposa estão indo até Bright Falls, por uma estrada rodeada por pinheiros. Ao chegar à cidade você anda por uma balsa, em seguida sai com o carro e vai até um Café. Alan está procurando pelas chaves da cabana onde ele e a esposa ficarão. Na passagem pelo Café Alan conhece uma mulher estranha, que lhe entrega as chaves. Outra mulher lhe diz para tomar cuidado com a escuridão, pois você pode se ferir. Chega de contar tudo, hora de analisar.

Os cenários são simplesmente deslumbrantes, extremamente convincentes. A luz do Sol, o vento nas árvores, a passagem do tempo, tudo foi feito muito bem e deixou o jogo muito mais crível. A escuridão também ficou natural, não tendo "excesso de escuro", e os efeitos foram bem desenvolvidos. A única coisa estranha é que em algumas partes o gráfico do jogo parece melhor que as CGs apresentadas (a diferença é visivelmente perceptível).

Taken, habitantes da cidade tomados pela Presença Obscura
Os inimigos do jogo são chamados de Taken (o que, numa tradução direta, seria como "Levados"), pois são tomados por uma entidade chamada de "Presença Obscura" (Dark Presence). Ela se manifesta tornando a pessoa completamente manipulável e deixando-a coberta de escuridão (na forma de uma espécie de fumaça). Para derrotar os Taken, Alan deve apontar sua lanterna até que a escuridão seja removida (você vê um flash de luz) e então usar armas de fogo para matá-los. Há comandos para desviar-se e você não precisa necessariamente enfrentar todos os inimigos, apenas tomar cuidado com o ataque deles e evitar usar demais a lanterna para que as pilhas não acabem. Os controles são ágeis e respondem bem, apesar de Alan ser aparentemente desengonçado, mas pelo simples fato de ser um escritor e não um lutador. Para ajudá-lo há outros itens como sinalizadores (flares) e pistolas de sinalizadores, e a lanterna pode ser "melhorada", demorando mais tempo para que as pilhas acabem. Ao usar um sinalizador, em algumas vezes o jogo mostra um efeito diferente, girando a câmera 360° ao redor do personagem para enfatizar.

A escuridão também pode possuir objetos, além de pessoas. É outro aspecto interessante do jogo, possuir poltergeists para perturbar em algumas partes. Objetos como latões, peças de carros e até mesmo tratores tomam vida própria e atacam o protagonista. Para voltar a torná-los objetos você usa, também, a luz da lanterna ou os sinalizadores, mas deve usá-los com cautela para que não fique sem armas em situações de emergência. Aliás, no quesito armas, o jogo apresenta o que ficaria tipicamente disponível, nada de armas bizarras em locais improváveis nem metralhadoras infinitas, você usa pistolas, espingardas e, claro, a lanterna.

A Presença Obscura também pode possuir objetos, causando 'Poltergeists' aleatórios

Para anunciar que a escuridão está atacando/prestes a atacar, o jogo usa dois elementos: a música fica mais tensa e, geralmente com os inimigos humanos, fica tudo mais escuro e o vento fica mais forte, balançando mais as árvores.

Cenários extremamente bem construídos são constantes no jogo
Os cenários são muito bem detalhados e possuem vários pontos interativos, que ajudam com dicas sobre como proceder ou com informações sempre pertinentes à história principal. Um ponto interessante são as TVs espalhadas, que mostram um programa "real" (com imagens de pessoas reais) chamado Night Springs ou então cenas estranhas com Alan Wake. Há também um programa de rádio local, com um locutor simpático que durante o progresso do jogo torna-se amigo de Alan.

Os personagens, sem exceção, são carismáticos e com conteúdo. Sempre têm algo a ver com a história ou fazem algo relevante, mesmo que sua participação seja curta. A dublagem é excelente, apesar da captura de movimentos em determinadas partes soar meio artificial.

O desenrolar da história, apesar de um pouco linear, não deixa a desejar. O jogo todo é apresentado de forma a parecer um seriado, onde cada episódio corresponde a um capítulo diferente, tal qual um livro. Nem tudo é explicado, mas como já disse em várias ocasiões, é bem melhor assim (o próprio Alan diz isso em certa parte). A bizarrice de determinados momentos é muito bem vinda, especialmente àqueles que gostam do gênero e estão acostumados com as "excentricidades", digamos assim, de certos autores como Lynch e King.

Outro elemento inteligente e curioso adicionado ao jogo foi o chamado "Manuscrito" (Manuscript). É uma obra, de título Departure/Partida, aparentemente escrita por Alan Wake, que diz não se recordar de tê-la escrito. Você encontra páginas do manuscrito espalhadas pelos cenários, que contam mais sobre a história e revelam fatos do passado, presente ou futuro de alguns personagens. Ao pegá-las, você ouve Alan lendo o texto.

A trilha sonora é incrível, lotada de temas orquestrados de extremo bom gosto. Composta por Petri Alanko, combina perfeitamente com o jogo e ajuda muito a dar o clima pesado usando melodias em piano e violino/violoncelo. Não chega a ser Dark, porém isso não é necessário. Destaque para as músicas A Writer’s Dream e Welcome to Bright Falls.

Ainda pertinente à trilha sonora, há faixas compostas por uma banda chamada de Old Gods of Asgard. Na verdade essa banda não existe, foi criada somente no universo do jogo. Quem fez as músicas foi a [banda] Poets of the Fall.

Um fato que talvez não agrade muito os jogadores é que na versão console o jogo não é "inteiro". Há duas DLCs lançadas posteriormente (pagas, é óbvio), os capítulos The Signal e The Writer, que estendem a história e a levam a um desfecho. Já na versão PC, você conta com os capítulos extras integralmente. 

O Café, uma das maiores semelhanças com Twin Peaks
É inegável a semelhança absurda de Alan Wake com o seriado Twin Peaks, de David Lynch (quem ainda não conhece corra agora assistir, vale muito a pena!). Já cheguei a anotar os pontos em comum e o número é impressionante. Tal fato é justificável, como já dito, pois o jogo bebe da fonte de muitas obras de horror. O Café, a balconista, a policial, a pousada, o consultório médico, o programa de TV aleatório, entre outros, são alguns dos elementos que você encontra em ambas as obras. De outros autores vale ser citada também a referência a Alfred Hitchcock, no nome da cabana (Bird Leg) e na presença constante de corvos. O próprio Alan cita a referência a uma cena de O Iluminado, em determinada parte do jogo.

Esse fato torna o jogo ainda mais agradável, pois parece que você está literalmente "jogando Twin Peaks", com apenas algumas diferenças. Talvez isso tenha tornado o jogo tão perfeito para mim, já que sou declaradamente apaixonado pelas obras de Lynch e especialmente por Twin Peaks, mas creio que mesmo para os não fãs o jogo também seja bom.

Tela de abertura do "seriado" Bright Falls
Pouco antes do lançamento oficial a Remedy e a Microsoft fizeram o que, agora, já virou moda: inventaram um mini-seriado live action em 6 capítulos para apresentar uma premissa da história e deixar os jogadores mais envolvidos no mistério que ocorre na cidade. O título leva o nome da cidade (Bright Falls) e mostra Jake, um jornalista, que viaja até lá para fazer uma entrevista com Emil Hartman, médico local e autor de um livro. O seriado é ainda mais absurdamente idêntico a Twin Peaks, contando inclusive com músicas que parecem tiradas diretamente da trilha sonora magistralmente composta por Angelo Badalamenti. A responsável pelas músicas é a banda Black Iris (clique aqui para acessar o site deles), que também não esconde a influência tanto da série quanto do compositor oficial. No final da postagem eu deixo uma playlist com o trailer e os episódios, OK?

A receptividade do público foi menor do que se esperava, fazendo com que Alan Wake não vendesse tanto. Isso ajudou a deixar o jogo com ainda mais status de cult (ele já era considerado como tal antes mesmo de ser lançado), mas sinceramente, não sei por que tanta gente desconhece ou não aprecia tanto. Talvez seja pelo motivo que já citei, pela minha paixão por Twin Peaks e obras de horror meio bizarras. Mesmo com não tanta fama foram lançados alguns produtos com a marca do jogo, tais como camisetas, lanternas, garrafas térmicas, livros e, pasmem, até mesmo cuecas! Além dos produtos também foi lançada, ao mesmo tempo que o jogo, a edição de colecionador, que eu quero desesperadamente vinha com o jogo mais um disco com a trilha sonora (curta, com apenas 10 músicas e aproximadamente 36 minutos), outro disco com conteúdo bônus, a história do jogo em forma de livro, um documento chamado The Alan Wake Files e um pôster, tudo em uma embalagem que imita o formato de um livro grosso.

Bom, acho que já apresentei o suficiente do jogo para que todos saibam mais ou menos o que esperar. Apesar de não ter atingido tanta fama é um jogo ótimo e que recomendo a todos, especialmente os que sabem apreciar obras de horror sem muito "frufru" ou efeitos especiais desnecessários. Simples, direto, original (pelo menos no mundo dos jogos) e muito bem produzido, Alan Wake trouxe de volta um pouco do "sabor" de um horror psicológico (e até meio sobrenatural, por que não?) que há um bom tempo não se via.  Quem tem X360 e/ou um PC razoável, corra atrás porque vale muitíssimo a pena! :D

Twin Peaks Bright Falls, a "prequência" de Alan Wake (trailer + os 6 episódios)
 

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