31 de jan de 2012

Diário dos Mortos (Diary of the Dead)

Título no Brasil: Diário dos Mortos
Título Original: Diary of the Dead
País de Origem: EUA
Gênero: Terror
Classificação etária: 16 anos
Tempo de Duração: 95 minutos
Ano de Lançamento: 2007
Estúdio/Distrib.: Imagem Filmes
Direção: George A. Romero

Elenco: Michelle Morgan (Debra Moynihan), Joshua Close (Jason Creed), Shawn Roberts (Tony Ravello), Amy Ciupak Lalonde (Tracy Thurman), Joe Dinicol (Eliot Stone), Scott Wentworth (Andrew Maxwell), Philip Riccio (Ridley Wilmott), Chris Violette (Gordo Thorsen), Tatiana Maslany (Mary Dexter), Todd Schroeder (Brody), [+]

Sinopse
Um grupo de estudantes resolve fazer um filme de terror numa floresta e quando menos esperam, são surpreendidos por notícias sobre o aparecimento de vários zumbis nas cidades. Pensando em criar algo real, os estudantes resolvem usar os mortos vivos no projeto, o que pode fazer com que o filme nem termine e não sobre ninguém vivo para contar a história.

Vai Lendo!


George A. Romero é o criador dos mortos-vivos que vemos atualmente em filmes e seriados: zumbis sanguinários, que arrancam as tripas de suas vítimas e gostam de cérebro. Só por criar algo que hoje é apreciado mundialmente, já lhe garante muito respeito. Algo, aliás, que apesar de nojento e assustador, caiu no gosto de inúmeras pessoas. Dentre seus vários filmes, temos o A Noite dos Mortos Vivos (1968), Dia Dos Mortos (1985), Exército do Extermínio (1973) entre outros que fizeram muito sucesso e são até hoje super apreciados pelos fãs. Mas de uns anos pra cá, os filmes do Romero não tem agradado tanta gente assim, principalmente os próprios fãs deste criativo diretor.


Terra dos Mortos (2005) já não foi lá grandes coisas. Alguns momentos meio tosquinhos, atuações fracas, mas tudo bem, a história pelo menos era legal. Se compararmos com Extermínio (28 Days Later) lançado poucos anos antes (em 2002), Terra dos Mortos fica para trás, bem para trás. Aí em 2007 foi lançado um novo filme do Romero: Diário dos Mortos (Diary of the Dead). Se não me engano, foi lançado apenas em dvd no Brasil, lá pelo final de 2008. Já serei bem direta: apesar de adorar zumbis e gostar de alguns filmes do Romero, afirmo que Diário dos Mortos é um lixo.

O filme é em primeira pessoa (ao estilo REC, Bruxa de Blair ou Cloverfield), onde um grupo de jovens universitários resolvem gravar com suas câmeras o apocalipse zumbi e colocar os vídeos na internet, a fim de mostrar para o mundo o que realmente está acontecendo.


Primeiro: só o início do filme dá vergonha alheia. Não direi agora, falarei mais no final do post (para não dar spoiler), mas o começo é tosco, meio mal feito e extremamente artificial. Aí você deve pensar "É apenas o início, depois melhora!". Não, não melhora. O tom artificial consegue piorar.

O grupo de jovens atores é fraco. Muito fraco. Não é porque são desconhecidos e nem nada do tipo. São fracos mesmo. As atuações não convencem. O personagem do ator veterano ficou muito caricaturado: um professor inteligente, culto, que já participou de alguma guerra e por isso bebe muito, conhece várias armas e dá um de sábio ancião em diversos momentos. O papel dele é falar frases supostamente de efeito e mostrar como é bom ter alguém mais velho no grupo. O resto são típicos jovenzinhos de filmes americanos: todos de olhos claros e rostinho bonitinho. E como bom clichê, não pode faltar a loira peituda.

   Incrivelmente as duas mulheres do filme conseguem ficar com os cabelos mais perfeitos e maravilhosos do universo o tempo TODO, mesmo com toda a correria e uns dois dias sem tomar banho.

A protagonista tem cara de mosca morta e nada faz ela mudar essa cara. Nada. É uma atuação meio robotizada lembrando a Kristen Stewart no Crepúsculo.

Apesar de toda a correria e tensão, a câmera que está nas mãos de um dos jovens fica praticamente perfeita o tempo todo. Raramente treme, sai de foco só nos momentos certos e ainda consegue capturar os melhores ângulos. Ok, o rapaz queria registrar tudo e sabe mexer com o equipamento. Mas nem o melhor dos profissionais seria tão bom para gravar em momentos tão difíceis.


Ela tem essa cara mesmo. O filme todo. Não clique na imagem =P

Em uma das cenas, eles decidem editar alguns vídeos para colocar na internet (claro né, com todo mundo morrendo lá fora, pensamos logo em quê? Editar vídeos, lógico!) e tudo é estupidamente rápido. Se você já editou algum vídeo na sua vida, nem que seja no Movie Maker, sabe o tanto que a coisa é demorada ainda mais no MM. Nem que você seja master profissional, com o melhor programa do universo, não é simplesmente apertar três teclas aleatórias e voilá! Está editado o vídeo inteiro! Não é algo que possa ser feito em menos de 3 minutos e num péssimo momento. Mas no filme eles conseguem (e ouso dizer que em menos de 2 minutos!).

Notei aí um dos problemas que vejo em muitos filmes: mostram o tanto que a tecnologia é maravilhosa e como está amplamente inserida em nossa sociedade atual, no entanto parecem desacreditar no conhecimento que o público tem sobre o assunto. Nos filmes, tecnologia é tratada como se fosse mágica. É só apertar qualquer tecla do seu computador e você consegue acessar todas as câmeras de segurança dos supermercados, dos bancos, das lojas da Nasa e por aí vai. No Diário dos Mortos é desse jeito: tentaram mostrar a tecnologia como algo fantástico e que todos os jovens são "antenados" nela, porém fugiram da realidade em diversos momentos.

  No filme: alguém está te atacando e você quer gravar o momento. Vida real: alguém quer te atacar, você joga a câmera na cabeça do indivíduo e sai correndo.
 
Ao contrário de REC, que passa um realismo enorme, Diário dos Mortos é artificial do início ao fim. Câmera muito perfeita, imagens muito certinhas e cortes em pontos certos demais para a ideia de amadorismo que o filme queria passar. Se uns reclamam que REC era muito "tremido", esse é "tremido" de menos, o que não deixa o filme com um aspecto de algo feito por amadores que estão correndo de zumbis e lutando para sobreviver.

Os zumbis são bem feitos, tem muito sangue e cenas bem gore que os fãs do gênero adoram. No entanto, muitos efeitos de zumbis arrancando carne humana ou tendo cérebros estourados por alguém, foram feitas em CG, o que fica muito artificial (ainda mais o sangue). Igual num erro que percebi em certa cena, onde um zumbi morde o pescoço de um cara, mas ao retirar a boca vemos que nada foi arrancado (não aparece a roupa rasgada, nem sangue e nem nada).


Diário dos Mortos contém diversos erros, diversos clichês, muitas cenas toscas, atuações fracas e momentos que geram muita vergonha alheia. A maquiagem dos zumbis foram bem feitas, mas a produção de todo o resto deixa a desejar. Eles não chegam a ir para a cidade, ao estilo The Walking Dead. Passam a maior parte do filme dentro do trailer ou de alguma casa.

Está longe de ser um dos melhores filmes do Romero e de fato, não é um bom filme. Mas dá para assistir, apenas por diversão ou para avaliar todos os erros e atuações toscas. Quando foi lançado, muitos criticaram falando que o George A. Romero estava "perdendo o jeito". A coisa piorou com Ilha dos Mortos (2009), quando muitos afirmaram que "é, ele perdeu o jeito". Será que perdeu mesmo? Só mais um filme dele e acho que podemos tirar uma melhor conclusão.

Nota (0-10): 5,0 (pelas maquiagens dos zumbis e algumas cenas bem gore).

Trailer


Algumas observações (contém SPOILER)

• No início o carinha lá  fazendo a reportagem, filmando a repórter na frente do hospital (cena já bem artificial) aí os até então mortos se levantam e começam a morder os paramédicos. Bem, a atuação da repórter e o cameraman falando ficaram ridículas. Depois os zumbis começam a morder os outros, mas lembre-se: nós telespectadores sabemos que se tratam de zumbis, porém de acodo com o filme, os pesonagens não sabem. Mal os mortos se levantam e a polícia já mete bala? Tipo, se alguém que era dado como morto, se levanta, a primeira reação é atirar? Eles estavam mordendo, ok, mas nem tentaram prender  os "mortos"! Ficou meio bizarra a cena, lembrando filmes de comédia...

• A facilidade com que eles vão matando os zumbis é impressionante. Digo, num momento eles estão brincando de gravar filme na floresta e uma meia hora depois já estão estourando os miolos de pessoas que até então eram tão humanas quanto eles? Você pode se achar 'O' cara, o Rambo, o Chuck Norris, mas não é. Se sua mãe chegasse babando sangue, com os olhos vermelhos e querendo te morder, você não estouraria os miolos dela tão facilmente. Na maioria dos filmes os personagens só matam porque já se habituaram com a situação e sabem que é matar ou morrer. Mas caramba, em questão de minutos um grupo de jovens se tornam em assassinos frios? Legal.

• E os flashbacks de reportagens reais no meio do filme? Um bando de carros antigos nas imagens, provavelmente gravadas nos anos 90, mas peraí... o filme não se passa em 2006/2007? Que imagens são aquelas? Escolheram no palito, cara ou coroa, minha mãe mandou... ? 

• E a viradinha tosca da moça e o rapaz com a câmera no final do filme. O que era aquilo? Ensaiando para serem robôs ou o quê?

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